Influenciadora denuncia agressão por transfobia em bar no MA; polícia investiga motivação

  • 10/08/2026
(Foto: Reprodução)
Influenciadora denuncia agressão por transfobia em bar no MA A influenciadora digital Lea Reis denunciou, em um vídeo publicado nas redes sociais, ter sido vítima de transfobia após ser agredida por uma mulher em um bar de Balsas, no sul do Maranhão, no sábado (8). No relato, Léa aparece abalada e afirma que levou socos no rosto sem entender o motivo da agressão (assista acima). A mulher apontada como agressora afirma que ela e o marido foram vítimas de importunação sexual (leia abaixo). "Eu sofri uma transfobia que eu nunca pensei na minha vida", disse. Natural do Ceará, Léa contou que estava em Balsas para participar do casamento de uma das suas melhores amigas. Depois da cerimônia, segundo ela, decidiu sair com amigos para conhecer a cidade e foi a um bar, onde aconteceu o episódio. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp No vídeo, a influenciadora mostra a roupa que usava naquela noite e relata que foi abordada de forma repentina pela mulher. Segundo Léa, ela levou dois socos na boca e, logo depois, percebeu que estava sangrando. A influenciadora afirmou ainda que suas mãos também ficaram ensanguentadas e que pessoas que estavam no bar se aproximaram para ajudá-la. "Ela simplesmente só deu um murro na minha boca e deu outro murro na minha boca. Quando eu vi, eu estava sangrando”, contou. Léa disse ainda que não conhecia a mulher envolvida na agressão nem as pessoas que estavam com ela. Ela pediu que o caso fosse esclarecido pelas autoridades. “Eu fui agredida brutalmente. Todo mundo que estava lá ficou chocado. [...] Eu quero justiça”, relatou. A influenciadora afirmou que ficou assustada após a agressão e disse temer possíveis consequências depois de tornar o caso público. Ela registrou boletim de ocorrência no domingo (9). Influenciadora denuncia agressão por transfobia em bar no Maranhão Reprodução/Redes Sociais Mulher apontada como autora apresenta outra versão A mulher apontada como autora das agressões, a servidora pública Écilla Ahuad Miranda, de 37 anos, apresentou outra versão e afirmou, por meio de nota, que reagiu após ela e o marido terem sido vítimas de importunação sexual (leia mais abaixo a nota na íntegra). Em entrevista à TV Mirante, a delegada Ana Marisa Barbat afirmou, no entanto, que as imagens de segurança analisadas pela polícia não mostram interação prévia que sustente essa versão. “Esse fato não procede. Isso não é verdade. As imagens são muito claras e revelam exatamente o contrário: que a vítima não provocou, não teve nenhuma manifestação prévia que desse ensejo ou motivasse aquela que seria uma reação à agressão". Segundo a delegada, as imagens confirmam a agressão física, mas ainda não há elementos suficientes para determinar se ela foi motivada por transfobia. “Até o momento, com os elementos informativos colhidos, não é possível definir se houve transfobia ou não por parte da autora das lesões. Ainda não é possível identificar. A investigação seguirá com o delegado responsável, que vai apurar os fatos para verificar se houve ou não transfobia", disse a delegada. Écilla ainda não havia sido ouvida pela Polícia Civil até a última atualização desta reportagem. Segundo a delegada, ela deverá prestar depoimento durante a continuidade da investigação. O g1 tenta contato com a defesa dela. Veja as notas na íntegra Nota de Écilla Ahuad Miranda "Nota Pública de Esclarecimento — Caso em Balsas/MA Diante dos vídeos e alegações que circulam nas redes sociais, venho a público prestar os devidos esclarecimentos sobre os fatos ocorridos em 08 de agosto de 2026. Ressalto que não possuo perfis em redes sociais, razão pela qual memanifesto por meio desta nota oficial. Sou servidora pública, mulher de 37 anos, mãe de duas filhas e casada. Ao longo de toda a minha vida, sempre pautei minha conduta pela ética, respeito e idoneidade, jamais me envolvendo em qualquer tipo de confusão ou litígio. No dia de ontem, participava de um momento de comemoração acompanhada de meu esposo, quando fomos vítimas de crime de importunação sexual. O ato foi praticado por uma pessoa que, visualmente, se apresentava como mulher. Reagi de forma imediata diante da grave violação à nossa integridade e intimidade. Repudio veementemente qualquer forma de preconceito ou discriminação. Contudo, não posso aceitar que uma reação legítima a uma agressão sexual seja distorcida para construir uma narrativa inverídica. Os ataques e linchamentos virtuais que venho sofrendo baseiam-se em versão parcial dos fatos. Todas as provas e o devido contexto legal serão apresentados e rechaçados judicialmente em momento oportuno, onde a verdade prevalecerá sobre julgamentos precipitados. Agradeço o apoio de todos que me conhecem e reitero meu compromisso com a verdade e a justiça. Balsas/MA, 09 de agosto de 2026. ÉCILLA AHUAD MIRANDA — Declarante JOSE RODRIGUES OLIVEIRA NETO — OAB/MA 8.712" Nota do Agrobar "O Agrobar lamenta o ocorrido no último sábado (8), na unidade de Balsas (MA), e informa que já está colaborando com as autoridades responsáveis pela apuração do caso, fornecendo todas as informações necessárias para contribuir com o esclarecimento dos fatos. A unidade reforça que repudia qualquer forma de violência e que acompanha o andamento das investigações conduzidas pelas autoridades competentes". Nota da assessoria jurídica de Léa Reis "A COSTA & SOUSA ADVOCACIA E CONSULTORIA JURÍDICA, na qualidade de assessoria jurídica de LÉA REIS, vem a público, de forma objetiva, prestar os seguintes esclarecimentos: 1. A nossa constituinte foi vítima de covarde agressão física, motivada por preconceito de identidade de gênero (transfobia). O caso foi imediatamente formalizado perante a autoridade policial, com o registro do boletim de ocorrência e a realização do exame de corpo de delito, encontrando-se sob rigoroso acompanhamento criminal desta assessoria. 2. A transfobia não é opinião: é crime. Por decisão do Supremo Tribunal Federal (ADO 26 e MI 4733), as condutas transfóbicas são equiparadas ao crime de racismo (Lei nº 7.716/1989), infração inafiançável e imprescritível. A agressão sofrida configura, ainda, o crime de lesão corporal (art. 129 do Código Penal), agravado pela motivação discriminatória. 3. Esta assessoria está monitorando e catalogando toda e qualquer manifestação ofensiva dirigida à ofendida — inclusive em redes sociais e ainda que praticada sob perfil falso ou anônimo. Comentários caluniosos, difamatórios, injuriosos ou de conteúdo discriminatório constituem ilícitos civis e penais autônomos e serão objeto de apuração. 4. Os autores dessas manifestações serão identificados — inclusive mediante requisição judicial de dados de conexão e cadastro aos provedores — e responsabilizados nas esferas cível (reparação por danos morais, arts. 186, 187 e 927 do Código Civil) e criminal. Conforme o recente entendimento do STF (Temas 533 e 987, de 2025), as plataformas digitais respondem pela manutenção de conteúdo ilícito e ficam obrigadas à sua remoção mediante simples notificação extrajudicial, medida que já está sendo adotada. 5. A ofendida é pessoa de conduta pacífica e ordeira, que jamais ofendeu quem quer que seja. Não se admitirá que a sua exposição pública seja convertida em licença para a prática de crimes contra a sua honra e a sua dignidade. 6. Ficam, desde já, advertidos os responsáveis por ofensas pretéritas e futuras de que todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis serão adotadas, sem qualquer tolerância, reservando-se à ofendida o direito à integral reparação e à responsabilização penal de cada autor".

FONTE: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2026/08/10/influenciadora-denuncia-agressao-por-transfobia-em-bar-no-ma-policia-investiga-motivacao.ghtml


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