Jovem que morreu após aguardar transferência teve alterações nos pulmões e coração aumentado, diz família
13/09/2026
(Foto: Reprodução) Jemerson Felipe Rodrigues Pereira começou a sentir falta de ar e tosse poucos dias antes da internação e morreu na madrugada de sexta-feira (11), em Pinheiro, na Baixada Maranhense.
Divulgação/Redes sociais
O jovem de 28 anos que morreu após aguardar uma transferência hospitalar para São Luís apresentou alterações nos pulmões e o coração aumentado antes de ter o quadro agravado, segundo a família. Jemerson Felipe Rodrigues Pereira começou a sentir falta de ar e tosse poucos dias antes da internação e morreu na madrugada de sexta-feira (11), em Pinheiro, na Baixada Maranhense.
Jemerson Felipe foi sepultado nesse sábado (12), em Bequimão, na Baixada Maranhense, cidade onde nasceu. Familiares e amigos participaram da despedida.
Jemerson Felipe foi sepultado nesse sábado (12), em Bequimão, na Baixada Maranhense, cidade onde nasceu. Familiares e amigos participaram da despedida.
Reprodução/Redes sociais
📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp
Segundo a família, Jemerson não tinha doenças crônicas e começou a apresentar sintomas respiratórios poucos dias antes da internação. Ele deu entrada no Hospital Municipal Lídia Martins, em Bequimão, com tosse intensa, cansaço e falta de ar.
A prima do jovem, Andressa Luanna, contou que Jemerson havia saído com amigos e, ao retornar para casa, começou a se sentir pior. Por volta de 1h, com dificuldade para respirar e tosse forte, ele pediu à irmã que o levasse ao hospital.
Agora no g1
Ainda de acordo com a família, Jemerson já havia procurado atendimento menos de um mês antes por sintomas semelhantes e também tinha histórico de pneumonia.
No Hospital Municipal Lídia Martins, o médico solicitou exames de sangue e manteve Jemerson internado para acompanhamento. Segundo a família, 17 exames de sangue foram pedidos para serem realizados pela manhã.
Os familiares também apresentaram ao médico um raio-X feito anteriormente. Segundo o relato, o equipamento da unidade hospitalar para realização de um novo exame não estava funcionando naquele momento.
A prima afirma que o exame anterior mostrava alterações nos pulmões e que o médico também percebeu que o coração de Jemerson aparentava estar aumentado. Por causa disso, foi solicitado um eletrocardiograma.
Segundo Andressa, a família considera que houve demora na realização dos exames. Ela afirma que o eletrocardiograma foi solicitado pela manhã, mas realizado apenas por volta das 14h.
Após o resultado, o médico solicitou a transferência de Jemerson com urgência para São Luís.
Para a família, a demora na realização do exame teria atrasado o início da transferência. Andressa afirma que, caso o eletrocardiograma tivesse sido realizado pela manhã, o jovem poderia ter deixado Bequimão mais cedo.
Ambulância seguiu para o Cujupe
Segundo a família, havia apenas uma ambulância disponível para fazer o transporte naquele momento, mas o veículo estava em São Luís. Foi necessário aguardar o retorno da ambulância para a Baixada Maranhense.
Jemerson deixou Bequimão por volta das 17h50 e chegou ao Terminal do Cujupe aproximadamente às 18h20. A expectativa dos familiares era que a ambulância embarcasse em um ferryboat previsto para sair às 18h50.
A travessia, no entanto, não ocorreu naquele horário, segundo a família. A ambulância permaneceu no terminal até aproximadamente 20h30.
Durante a espera, Jemerson teria apresentado piora no estado de saúde. Segundo a prima, ele ficou preocupado com a possibilidade de não chegar a tempo a São Luís e passou a apresentar uma queda rápida na saturação de oxigênio.
Diante da piora, a ambulância retornou para Bequimão. A família afirma ainda que foi necessário fazer nova medicação e substituir os cilindros de oxigênio usados durante o transporte.
Transferência para Pinheiro e morte
Após retornar a Bequimão, Jemerson recebeu novo atendimento e foi encaminhado para o Hospital Regional Dr. Antenor Abreu, em Pinheiro.
De acordo com Andressa, ele chegou à unidade por volta das 23h, já em estado grave. A família foi informada de que Jemerson precisaria ser intubado.
A prima afirma que, depois disso, o jovem sofreu cinco paradas cardíacas.
Ainda segundo a família, foi questionada a possibilidade de uma transferência aérea para São Luís. A equipe médica teria informado, porém, que o estado de saúde de Jemerson já era grave e que ele não teria condições de suportar o deslocamento. Jemerson morreu na madrugada de sexta, em Pinheiro.
O que diz a Prefeitura de Bequimão?
Por meio de nota enviada ao g1, a Prefeitura de Bequimão informou que Jemerson Felipe Rodrigues Pereira recebeu assistência da equipe de saúde do Hospital Lídia Martins desde a entrada na unidade, na madrugada do dia 10 de setembro, até a transferência para o Hospital Dr. Antenor Abreu, em Pinheiro.
O município afirma que o paciente permaneceu sob acompanhamento e cuidados da equipe durante todo o período em que esteve na unidade (leia a nota na íntegra abaixo).
Governo vai apurar circunstâncias da morte, afirma governador
Após a repercussão do caso, o governador do Maranhão, Carlos Brandão, afirmou que o governo vai apurar as circunstâncias da morte e anunciou uma reunião com prefeitos da Baixada Maranhense, empresas responsáveis pelo serviço de ferryboat e secretarias estaduais. A reunião foi marcada para este domingo (13).
Segundo Brandão, entre as medidas que devem ser discutidas estão melhorias na comunicação entre terminais e hospitais, além da cobrança pelo cumprimento dos horários e da programação das viagens dos ferryboats.
Leita a nota íntegra
“Atenção 🚨 Convocamos reunião para domingo (13) com todos os prefeitos da Baixada Maranhense, empresas e secretarias de Estado que operam no serviço de ferryboat. O ferry São Miguel será incorporado nos próximos dias, e em breve teremos também o ferry São Rafael.
Estamos apurando o caso do Jemerson Felipe, de 28 anos, que faleceu nesta sexta (11), em Pinheiro, para tomar as medidas cabíveis. Meus sentimentos aos familiares e amigos. Também vamos melhorar a comunicação direta entre os terminais e os hospitais, exigir o cumprimento dos horários e da programação das viagens, entre outras medidas emergenciais. Nosso compromisso maior é com a vida.”
O corpo de Jemerson é velado na casa dos pais dele, no interior do Maranhão.
Em nota, a Secretaria de Estado de Governo (Segov) lamentou a morte de Jemerson Felipe, de 28 anos, e informou que apura as circunstâncias relacionadas ao atraso das embarcações. A pasta afirmou que adotará medidas emergenciais, como o reforço da fiscalização dos horários das viagens e a melhoria da comunicação entre terminais e hospitais. Também ressaltou que as ambulâncias têm prioridade de embarque nos ferryboats.
Veja a nota na íntegra
Fonte: Segov/SES
A Secretaria de Estado de Governo (Segov) lamenta profundamente o falecimento de Jemerson Felipe, de 28 anos, que faleceu na madrugada desta sexta-feira (11), em Pinheiro. A equipe de operações aquaviárias está mobilizada para apurar as questões relacionadas ao atraso das embarcações e tomar as medidas cabíveis.
Reitera, também, que a comunicação direta entre os terminais e os hospitais será aperfeiçoada, bem como reforçará a exigência do cumprimento dos horários e da programação das viagens, entre outras medidas emergenciais.
Vale ressaltar que as ambulâncias têm total prioridade de embarque nos ferryboats, de acordo com a Portaria nº 83, publicada no Diário Oficial do Estado.
A Secretaria acrescenta, ainda, que neste domingo (13), reunirá com o governador Carlos Brandão e todos os prefeitos da Baixada Maranhense, empresas e secretarias de Estado que operam no serviço de ferryboat para dialogar sobre o sistema aquaviário e sobre a chegada dos ferryboats São Miguel e São Rafael neste segundo semestre de 2026. A Segov manifesta sua solidariedade à família e amigos de Jemerson Felipe neste momento de dor.
Nota na íntegra da Prefeitura de Bequimão:
"Jemerson Felipe Rodrigues Pereira recebeu toda a assistência da equipe de saúde do Hospital Lídia Martins, em Bequimão. Ele deu entrada à 1h28 do dia 10 de setembro, com relato de tosse persistente, falta de ar, taquicardia e baixa saturação de oxigênio.
À 1h45, 17 minutos após o registro de entrada, foram administradas as primeiras medicações prescritas, com instalação de acesso venoso, suporte de oxigênio e solicitação de exames laboratoriais.
Às 2h, o paciente foi admitido no setor de internação. O prontuário contém registros de atendimentos permanentes durante a madrugada e manhã, com administração de medicações, oxigenoterapia e monitoramento. Após o acompanhamento inicial, ele apresentou estabilidade clínica e melhora, chegando a pedir liberação para retornar à sua casa. A equipe médica, entretanto, não autorizou a alta, pois os resultados dos exames indicavam a necessidade de manutenção da internação e da investigação do quadro clínico.
Quanto ao histórico clínico, foi relatado pelo paciente durante o atendimento que ele estava com tosse persistente há mais de três semanas e que havia descontinuado um tratamento para pneumonia. Foi anexado ao prontuário exame de Raio-X de tórax datado de 7 de setembro, embora esse exame não tivesse correlação determinante com o diagnóstico clínico definido posteriormente.
Os exames laboratoriais apresentaram alterações, com elevação da Proteína C-Reativa (PCR), marcadora de processo inflamatório. Diante desse resultado, em conjunto com os sintomas e demais achados clínicos, a equipe realizou dois eletrocardiogramas para reavaliação do quadro e contraprova diagnóstica.
Às 14h01, diante dos parâmetros apresentados em eletrocardiograma de controle, a equipe considerou hipótese diagnóstica compatível com Infarto Agudo do Miocárdio. Com os parâmetros apresentados, foi iniciado imediatamente o protocolo medicamentoso preconizado para o quadro e adotadas as providências para transferência após estabilização clínica.
Depois de estabilizado o paciente, para a transferência com segurança, a ambulância foi preparada com dois cilindros de oxigênio de grande porte e dois cilindros portáteis, quantidade dimensionada para o trajeto, com acompanhamento de equipe.
O encaminhamento inicial do paciente, após transferência, seria para o Hospital Djalma Marques, Socorrão I, em São Luís, por ser uma unidade de urgência e emergência de porta aberta que não exige regulação prévia de leito para receber o paciente. A transferência foi autorizada às 17h46 e a ambulância chegou ao Cujupe às 18h25, com expectativa de embarcar no ferry-boat das 18h30.
Às 21h, diante dos parâmetros clínicos verificados, a equipe adotou conduta de segurança com retorno ao Hospital Lídia Martins para nova avaliação e estabilização. Definiu-se o encaminhamento do paciente ao Hospital Dr. Antenor Abreu, em Pinheiro, unidade de contra-referência pactuada para casos que necessitam de suporte ventilatório e estabilização cardiológica, até a conclusão da regulação para um serviço de maior complexidade.
O transporte foi realizado em ambulância com suporte de oxigênio, saindo de Bequimão às 22h15 e chegada ao Hospital Dr. Antenor Abreu às 22h58, onde o paciente permaneceu sob cuidados da equipe assistente, evoluindo a óbito às 4h do dia seguinte."